Reflexão da Semana: O caminho mais curto…

Nas primeiras aulas de geometria, aprendemos que reta é união de infinitos pontos e o segmento de reta aquele que une 2 pontos, também aprendemos que a menor distância entre 2 pontos é uma reta(ou segmento de reta, mais precisamente). Entretanto, nas diversas situações da vida também vamos, com a experiência, aprendendo que nem sempre a reta é o melhor ou o menor caminho, as vezes precisamos fazer curvas, desvios calculados, para chegar de maneira adequada onde pretendemos.

Em aviação também não é diferente, aliás, aprendemos em Navegação Aérea que se formos de Paris ao Rio de Janeiro traçando necessariamente uma reta, nunca chegaremos à Capital Carioca, mas traçamos uma “linha geodésica” ou mais precisamente um arco de Círculo Máximo sobre nossa carta, então estaremos navegando sobre a rota certa até nosso destino.

Também há aqueles que até traçam rotas e rumos, mas desviam-se completamente da direção que deveriam seguir, passam por um lapso de memória e mudam seu ângulo da visão correta, tentam ir pelo lado mais “reto” que aparentemente economiza tempo, dinheiro, etc. E como já vimos, nem sempre a reta é o menor caminho, muito menos o melhor, sobretudo em aviação, sobretudo ao lidar com vidas. É preciso valorizar a vida, a própria e a de outros. Atalhos podem constituir algumas vantagens, mas nunca em detrimento das regras, do padrão, daquilo que deve ser seguido, dos regulamentos, da lei, e eu diria também do bom senso.

Alguns exemplos:

1) Não aguardar instruções da TWR no ponto de espera, ainda que haja pista livre, é uma reta que, em diversos lugares do mundo, pilotos traçam na ideia de agilizar uma decolagem ou até mesmo “desafogar o rádio”. O Resultado pode ser: Sim, você vai agilizar sua decolagem… Mas também vai executar uma incursão em pista, obrigando uma outra aeronave a arremeter, ou ainda uma consequência pior, colisão e morte. Se existe um ponto de espera, então é pra esperar…

2) Atalhar no circuito de tráfego: Não conheço ninguém que tenha feito isso, mas já ouvi falar, então é o seguinte: Pular fases, sempre implica em deixar de ver algo que poderia ser visto…Resultado: Vai agilizar o pouso? Vai…Pode existir a pressão do executivo que queira chegar logo? Quem paga seu salário, não pode pagar por sua vida, nem amparar seus familiares, pois a sua ausência é inestimável…O que isso tem a ver? Bem, o check-list provavelmente vai ser acelerado, algum item pode deixar de ser devidamente checado, alguma situação mais complicada pode acontecer nesse momento(e você sabe, mas nunca espera),pode perder a reta e ter que fazer tudo de novo(o que só aumenta o atraso), pode tentar mesmo assim e bater no chão, ou conseguir danificar alguma coisa no avião, o que também não te torna imune à demissão.

3)Essa pode ser clássica: Improviso na manutenção; Se mecânico, piloto, operador, proprietário ou tudo isso junto, você de saber que até o seu carro se for pra qualquer oficina fazer uma simples troca de óleo pode ter uma experiência muito desagradável… Agora imagine uma pane de motor logo após a decolagem, ou o para-brisas ser trincado em voo por causa de um único parafuso que se encaixou ali, mas não era exatamente igual aos que deveria ser fixados(era muito parecido)… Se você valoriza sua vida, valorize seu avião(ainda que não seja seu, mas você que cuida dele, de alguma forma é seu). Existem diversas empresas de manutenção, excelentes empresas, mas é necessário também respeitar os ciclos, de célula, GMP, aviônica…Ah, já passou 3h que deveria ter ido pra manutenção, mas é só um voozinho de 30min…pode ser o último.

Essas são algumas retas que as vezes são tomadas na aviação, o resultado desse atalho é que ele pode se tornar o caminho mais curto pra um acidente, que muitas vezes é visto como fatalidade, porque teoricamente a aeronave estava com o CA e IAM em dia, pilotos experientes, equipes de solo excelentes, mas as vezes um pequeno atalho pode abater todas essas qualidades…
Um Abraço, VOE SEGURO SEMPRE – VSS

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Perigo no Ar: Risco Baloeiro(Parte 2)

Panorama sobre o avistamento de balões

 Até o dia dessa publicação 20/05/2015, foram registrados 113 casos de avistamentos de balões em todo o Brasil. Entretanto em 2014, apenas o estado de São Paulo registrou 206 casos de balões ilegais, sendo portanto, o estado com o maior índice de ocorrências, seguido pelo Rio de Janeiro com 79 casos.
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Os gráficos apresentados pelo Cenipa, mostram o fluxo das ocorrências de avistamento de balões nos estados brasileiros. É possível observar que nos estados que lideram os casos houve sensível aumento. Em números absolutos os demais estados praticamente mantiveram seus índices, entretanto do ponto de vista percentual, analisando os dados de 2013/2014 os estados de GO, MG e DF sofreram picos superiores a 200%. Embora a lei de crimes ambientais no seu artigo 42 deixe claro que a soltura, manuseio, fabricação e transporte  de balões seja crime, ainda existem pessoas que ou desconhecem a legislação ou a ignoram completamente. A situação apresentada não envolve somente o risco ao meio ambiente estritamente, mas engloba toda a sociedade, as pessoas que estão em suas casas e sobretudo ao transporte aéreo em sua plenitude, desde o voo propriamente dito até a infraestrutura, aeroportos, estações de auxilio as comunicações, etc.

Vale ressaltar que embora os números oficiais mostrem valores, já elevados,  os números podem ser ainda maiores do que mostram as estatísticas, isso porque podemos partir do pressuposto que nem todos os avistamentos de balões sejam comunicados, tanto pelo pessoal da aviação, quanto a população geral que poderia denunciar os casos. Não é do conhecimento de todos que o Cenipa possui em sua página oficial uma ficha de ocorrência com balão, qualquer pessoa pode relatar o avistamento de balões, inclusive passageiros. Por isso fica aqui o encorajamento de denunciar para a Polícia Militar através do número 190 qualquer atividade de pessoas com balões e ao perceber que esse objeto se encontra em voo ou próximo a aeroportos ou aeronaves, acesse o site do CENIPA e preencha a ficha online no campo Risco Baloeiro.

Cenipa

No formulário contêm informações de preenchimento técnico, como a fase de operação, informações do voo(altitude, velocidade,etc) condições do céu, além de espaço para o preenchimento de informações sobre o balão e um campo para descrição de maiores detalhes não contemplados pelos questionamentos objetivos da ficha.

Como foi dito na matéria anterior de Perigo no Ar o impacto de um balão considerado pequeno, contra uma aeronave pode causar danos severos e por consequência um acidente/incidente grave. Portanto além da demonstração já citada sobre os perigos que um balão pode oferecer a aeronaves, aeroportos e pessoas, é necessário que a população esteja consciente não apenas dos riscos, mas também dos crimes, tanto o ambiental(art.42 Lei 9605), quanto o crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo(art 261. Código Penal).

Fica também a sugestão aos órgãos públicos(Cenipa,ANAC, PM,Bombeiros,etc) e operadores aeroportuários(GRU Airport, Inframérica, Infraero,etc) que realizem parcerias e promovam ações de conscientização da sociedade, sobretudo nas áreas onde há maior incidência dos casos de risco baloeiro.

VSS- Voe Seguro Sempre!

Perigo no Ar: Risco Baloeiro, desde 1783(parte 1)

Em meados do século 18 os irmãos Joseph Michel Montgolfier e Jaques Étienme Montgolfier, fizeram história ao realizar o primeiro transporte aéreo do mundo. Dentre os ilustres passageiros compreendiam, um pato, uma cabra…que decolaram e pousaram em segurança a bordo de um balão. Irmaos Montflier

Empolgados com o sucesso de suas experiências os irmãos Montgolfier,novamente, escreveram mais capítulo na  história da aviação, principalmente sobre o aspecto jurídico. Durante o voo de experiencia de um grande balão que fabricaram, os irmãos franceses perderam a corda que e consequentemente o controle do seu aeróstato, que caiu aos arredores de Paris, na Vila de Gonesse(mesmo local onde caiu o Concorde).  Diante da inusitada situação, aquele objeto estranho que caíra do céu fora motivo de grande alvoroço. Conta-se que populares golpearam à base da enxada, facão, foice, entre outras ferramentas do campo; Por fim amarram aquela “coisa” a um cavalo e arrastaram-na pela vila. Então um fazendeiro um pouco mais esclarecido e menos atordoado com todo o reboliço causado pelo invento dos irmãos Montgolfier, transportou o mais leve que o ar até o distrito policial, apresentando-o ao delegado local disse: “Não sei o que é isso, mas está morto e destruiu minha plantação de couves”. E pediu indenização. Daí surgiu novas preocupações jurídicas a respeito do Direito Aeronáutico. E considerando tal acontecimento, também podemos fazer uma correlação do risco que um balão descontrolado geram para quem ou quê se encontra na sua imprevisível área de pouso.

Baloeiro X Balonismo

Antes de prosseguir com a questão dos riscos, devemos fazer uma distinção fundamental.
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Balonismo é uma atividade desportiva legal e regulamentada e está sobre a observância da Confederação Brasileira de Balonismo, fundada em 1987. O balão tripulado é controlado por um piloto devidamente habilitado, é um aeróstato, possui matrícula no RAB – Registro Aeronáutico Brasileiro assim como aeródinos(aviões, helicópteros,planadores).

O Baloeiro é um indivíduo que exerce a prática da soltura de balões não controlados e que gera o risco baloeiro.balao2

Crime

Soltar balões não controlados é ilegal, constitui crime ambiental, segundo a redação da lei 9.605/98.

Art. 42. Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano:

Pena – detenção de um a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.

Histórico

As comemorações de São João começam já em maio e se estendem por todos os estados do Brasil até meados de julho-agosto em algumas regiões. Juntamente com a tradição, trazida pelos portugueses, a prática da soltura de balões se inseriu na cultura brasileira. A festividade traz momentos de descontração e diversão para aqueles que se identificam com o festejo, entretanto o que poucos se dão conta é do risco que está por trás da beleza e alegria da festa.

Perigo no Ar

Desde 1998 soltar balões juninos ficou proibido, entretanto nem mesmo a previsão legal intimidou a prática. O potencial de danos que esses objetos podem causar, compreendem, dentre outras possibilidades, incêndios:

  • Sobre a rede elétrica;
  • Propriedades(prédios, casas, indústrias,etc);
  • Áreas de proteção da fauna e flora;
  • Áreas de produtos inflamáveis;
  • Hospitais;
  • Aeroportos.
    Há aqueles que defendam que o balão sem fogo, ou, balão ecológico seja legal. O fato desse tipo de objeto não conter fogo não o torna menos perigoso. Há que se ter consciência de que esses objetos “voam” e voam sem controle algum, portanto eles ocupam o céu, o espaço aéreo e esse espaço não é livre, não é de todos nem para todos a seu bel-prazer. Existe uma responsabilidade ao se inserir nesse ambiente.

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A lei penal também destaca:

Art. 261 – Expor a perigo embarcação ou aeronave, própria ou alheia, ou praticar qualquer ato tendente a impedir ou dificultar navegação marítima, fluvial ou aérea:

Pena – reclusão, de dois a cinco anos.

O que o balão “ecologicamente correto” faz senão expor aeronave a perigo?

Para mensurar um pouco os reais perigos que um balão apresenta a uma aeronave, as palavras do então Tenente-Coronel-Aviador Francisco José Azevedo de Morais, do CENIPA, especialista em risco baloeiro: ” Vamos supor que um balão de cerca de 15kg, que é um balão pequeno, colida com um avião que esteja voando a uma velocidade de 300km/h. O impacto vai ser da ordem de 3 toneladas e meia”.

O Ten.Cel também explicou na edição 236, página 43 da Revista Aerovisão, a revista da Força Aérea Brasileira  que no caso de um balão de 50kg colidindo com uma aeronave em velocidade aproximada de 400km/h o impacto já subiria exponencialmente à 100 toneladas.

É necessário que as autoridades trabalhem de forma integrada para punir os infratores na forma da lei e sobretudo conscientizar a população, através de campanhas de publicidade, envolver as mídias, as escolas e demais áreas da sociedade que sejam formadores de cultura, pois a prática de soltar balões juninos veio de uma cultura onde à época, o espaço aéreo era um local destinado apenas aos pássaros, mas  com o avanço dos anos passou a ser ocupado também pela sociedade, que utiliza-se do transporte aéreo, que  foi e é fundamental para a humanidade.

Projeto Aviador

Muito tem sido falado sobre fatores humanos na aviação, sobretudo após acontecimentos como a lamentável colisão do voo 9525 da Germanwings  de Barcelona rumo a Dusseldorf.

O que pouco havia sido dito ou pelo menos nunca esteve em tanta evidência na mídia e até mesmo diante das autoridades aeronáuticas no mundo foi a real regulação da profissão do aviador. O que existe hoje é uma convenção coletiva de trabalho que regulamenta os aeronautas – profissionais que trabalham abordo de aeronaves exercendo função em voo.

É necessário que o homem também seja elevado aos patamares de segurança que a máquina também atingiu nos últimos 70 anos de aviação desde o fim da segunda guerra mundial. Para que o profissional esteja plenamente seguro em suas atribuições ele deve ser reconhecido. E é nesse sentido que o Projeto Aviador, está alinhando para decolar;

Qual é a diferença entre o profissional aviador e o piloto de aeronaves?

Será que existe oficialmente uma resposta?

Para compreender melhor em que flight level  esse projeto de lei está tentando estabilizar clique aqui… após ler essa matéria

(mais…)

Mês da Mulher: Aviadoras Intrépidas

Nessa semana para encerrar o mês da mulher, falaremos de algumas aviadoras intrépidas. Como sempre as mulheres tiveram papéis pioneirismos na aviação, mesmo entre os homens. Aliás essas comparações são completamente desnecessárias.

As aviadoras têm o espírito desbravador, como é dá índole de todo aviador, todos queremos ir além sempre. Até agora falamos de mulheres no comando de aviões, isso é asa fixa. Mas temos aeronaves que são fundamentais, indispensáveis e é impossível nos imaginarmos sem essas máquinas no nosso cenário contemporâneo. Sim, os helicópteros são máquinas que pairam no ar, salvam vidas e também têm uma identidade comum às das mulheres por inaugurarem a versalidade no meio aeronáutico.

A PRIMEIRA PILOTO DE HELICÓPTERO

Hanna Reitsch, aviadora alemã nascida em no mês da mulher, março de 1912; Foi piloto de testes da Luftwaffe, a força aérea alemã no período nazista. Apesar de Hitler ser contrário a participação de mulheres em outras atividades, como a aviação, Reitsch ganhou a confiança do führer , sendo a garota propaganda do nazismo. Voou os protótipos dos bombardeiros Dornier Do 17 e os Junkers Ju 87.Foi condecorada com a Cruz de Ferro, importante medalha conferida aos pilotos alemães. Mesmo no pós guerra a aviadora colecionou recordes entre eles campeonatos de planador e se tornou a primeira mulher piloto de helicóptero e pioneira ao voar o Focke Achgelis Fa-61, chegando inclusive a efetuar voos noturnos nesse equipamento.

As mulheres estão cada vez mais presentes na aviação militar, no Brasil mulheres estão compondo cada vez mais as tripulações de aeronaves empregadas nas forças de segurança e nas forças armadas.
Em destaque duas aviadoras da Força Aérea Brasileira, que há pouco tempo escreveram mais um capítulo na história da aviação militar no Brasil: A Tenente Vitória, 23 anos foi a primeira mulher na FAB a comandar um helicóptero de ataque, um Mi-35M russo, rebatizado FAB como AH-2 Sabre. E as tenentes Aviadoras Déborah Gonçalves e Caroline Pedretti que foi a foram se consagraram como a primeira tripulação feminina a comandar um helicóptero UH-60, aeronave americana BlackHawk.

Gostaríamos de falar de todos os feitos de nossas aviadoras, mas isso demandaria talvez o ano inteiro e até mais, mesmo porque as nossas aviadoras estão sempre alcançando novas marcas.
Mas deixaremos algumas imagens que possam representar um pouco do que vocês, mulheres têm contribuído para nossa aviação.

Mês da Mulher: A Saga Solitária das Américas

Já pensou voar pela Cordilheira dos Andes, mais precisamente do Brasil ao Chile, num Paulistinha?

E começar uma viagem da Terra do Fogo-Argentina(extremo sul do continente) até o Alasca num Cessna 140-A e retornar ao Brasil?

Cruzar a temida Amazônia, num voo totalmente sem rádio? Tudo isso sozinho(a)…

Atualmente essas situações mostram-se completamente impensáveis do ponto de vista da segurança operacional. Entretanto temos que ressaltar que essas foram marcas incríveis atingidas por um aviador, aliás, aviadora!

Ada Leda Rogato, é a nossa homenageada da semana nesse mês da mulher, além desses feitos vibrantes que remetem aos primórdios da aviação, Ada Rogato merece lugar na alameda de heróis da pátria, uma vez que em seus voos procurava divulgar a imagem e a grandeza do Brasil em cada pouso que fez nos diversos países que visitou. Nossa aviadora conquistou todas essas marcas na aviação com seus famosos reides, voando sozinha conduzindo seu avião.

A nossa aviadora também foi a primeira paraquedista a ter um brevet da categoria, reconhecida pelo ministério da aeronáutica, também foi a primeira mulher na prática de volovelismo(piloto de planador).

Ada também detém as seguintes marcas:

  • Pioneira na aviação agrícola, aplicando defensivos nas lavouras de café;
  • A primeira pousar em Brasília-DF, quando ainda em construção;
  • A primeira a pousar um pequeno avião num aeroporto de grande altitude(Bolívia);
  • Patrulhou o litoral paulista durante a segunda guerra mundial;
  • Grande influenciadora da criação de aeroclubes por todo o Brasil e inaugurando diversos campos de aviação.

Sem dúvidas a simpatia dessa brasileira é comovente, assista ao video em que Ada concede uma entrevista para um canal de tv, contando um pouco de seus feitos e sua história. Também não deixe de conferir a galeria com imagens dos locais que Ada Rogato visitou e de seu inseparável amigo alado, o “Brasileiro”(Cessna 140-A).

Parabéns Mulheres

Mulher virtuosa, quem a pode achar? Pois o seu valor muito excede ao de jóias preciosas.
Provérbios

As mulheres são asas dos homens, elas nos dão sustentação,

quando nos desorientamos elas nos ajudam a encontrar o norte verdadeiro,

quando nada enxergamos elas nos vetoram até a segurança do pouso, elas usam muitos instrumentos para isso, não há IFR que nos habilite para fazer o que só elas fazem.

Nem  sempre o céu é de brigadeiro, mas elas sempre nos deixam CAVOK, mesmo quando o tempo fecha e nós adotamos uma proa de regresso, elas estão lá, para nos oferecer  o alternativo.

A verdade é que nossos planos de voo estariam incompletos sem elas, por isso jamais poderíamos voar sem elas.

PARABÉNS MULHERES, O DIA DE VOCÊS É TODO DIA!

Parabéns Mulheres

Parabéns Mulheres

Especial mês das mulheres

Como diriam nossos amigos do Canal Piloto Oscar Lima Alpha!

No mês das mulheres saudamos à todas vocês de modo especial, ao longo do mês de março publicaremos alguns breves feitos de mulheres que fizeram história na aviação.

Também no dia 08/03/2015 será publicado aqui e na nossa fanpage do facebook um singelo painel para homenagear as nossas apaixonadas pela aviação. Se você quer ver a sua foto no nosso painel ainda dá tempo. Envie para o nosso email uma foto sua, no aeroclube, no avião que você voa, ou quer voar, enfim qualquer foto com até 2MB DESDE QUE você esteja identificada como uma mulher que ama a aviação, seja aviadora, controladora, etc. Ah, não esqueça no assunto escreva: MesAviadoras, e no campo de mensagem diga seu nome e a cidade de onde está falando(isso não é ligação a cobrar) Participe!!!


Para estrear nossa matéria especial, vamos falar sobre uma aviadora brasileira.

Anésia Pinheiro Machado

Nascida em 05 de junho de 1902, Itapetininga-SP. Foi a primeira mulher a voar só, no Brasil. Anésia colecionou diversas marcas, títulos homenagens e também uma polêmica a respeito da revolta tenentista em São Paulo .
O objetivo aqui não é criticar nem tomar parte de qualquer lado na história, apenas narrar fatos que preconizaram a história da aviação e a participação das mulheres nessa história.

Decana mundial da aviação feminina reconhecida e proclamada pela Federação Aeronáutica Internacional por ser dona do brevet mais antigo do mundo e ainda em atividade no ano de 1954. O referido título é único no mundo.
Anésia  foi piloto comercial, instrutora de voo, primeira repórter aeronáutica do Brasil, primeira aviadora brasileira a realizar voo transcontinental (NY-RJ), primeira a cruzar a Cordilheira dos Andes num avião monomotor e em rota comercial, do Chile a Argentina. Diversas vezes a mulher alada do Brasil recebeu homenagens por seus feitos, inclusive o incentivo de Alberto Santos Dumont. Muitas condecorações, títulos e medalhas foram conferidos a Anésia, tanto de instituições civis quanto militares, do Brasil e de outros países.

A aviadora Anésia Pinheiro Machado, partiu para outra jornada em maio de 1999 e também foi homenageada com uma exposição no Museu Aeroespacial – Musal – RJ, sua história e conquistas na aviação inspirou mulheres em seu tempo e em tempos futuros e perpetuam a presença feminina nos pássaros de metal.
Para maiores informações a respeito da história de Anésia Pinheiro Machado, recomendamos o documentário Anésia – Um Voo no Tempo.

Anésia - Um Voo no Tempo

Anésia – Um Voo no Tempo

Aeronave nos Macacos e DIVOP 001/2015

Colocar a aeronave nos macacos, pode soar caricato mas nada tem a ver com experimentos feitos nesses animais no meio aeronáutico. Essa parte fica pra Hollywood e seus sets de filmagem.

“Cuidado aeronave nos macacos” Esse é um aviso que frequentemente se vê nas oficinas de manutenção aeronáutica, em alguns casos, nos hangares de determinados aeroclubes e faço questão de citar o meu aero do coração o Aeroclube de Eldorado do Sul – RS. Enfim, falando dos macacos efetivamente, nada mais são do que estruturas (macacos hidráulicos) que suspendem a aeronave, ação indicadora de que uma manutenção está ocorrendo.

Talvez esse assunto( manutenção) e sua importância não seja novidade para grande parte dos leitores. É provável que seja sabido de todos que manutenção em qualquer lugar, na aviação e fora dela é um agregado permanente, ou seja, só vai cessar quando a atividade for exaurida(no caso, parar de voar definitivamente, extinção de uma atividade aérea). Também não é difícil entender que fazer manutenção implica em desprendimento de recursos(dindin, grana, prata, pilas) sem afastar o recurso humano, que deve ser capaz , capacitado e aprimorado.

Em administração o conceito da manutenção vela, entre outros aspectos, pela economia, custo-benefício da prevenção para atingir posições mais competitivas, etc. Na aviação o conceito dado pela administração engloba também aspectos preventivos, tanto do ponto de vista gerencial, quanto da preservação do maior bem de todos, a vida humana.

Dizer que um custo permanente é uma forma de investimento é que pode ser o “nó cego” dessa situação toda. Exemplo: Uma empresa de táxi aéreo com uma frota de 3 aviões, para ter 100% de lucro( a grosso modo) precisa de seus 3 pássaros de aço voando sempre, entretanto vai chegar o momento que um ou dois deles vão ter que ” pousar nos macacos”. Esse ” tempo de macaco” implica além do custo das próprias tarefas a serem realizadas nesse momento(troca de óleo,revisões de célula, motores,etc) há o custo de perda de clientes que estariam voando aquele avião se o Chefe de Manutenção tivesse deixado o avião mais 3 horinhas voando além do previsto na caderneta.
Ou se esse mesmo chefe de manutenção agora influenciado pelo Safety da empresa não tivesse antecipado uma manutenção que ainda nem estava na hora, tava quase, mas não tava na hora…

O fato é que uma empresa não pode parar sua atividade para fazer segurança nem tão pouco a segurança ficar abandonada no fundo de um hangar escuro. O equilíbrio de lucro X segurança de voo deve ocorrer mas alguns operadores têm um CG um pouco a frente da segurança no sentido prevenção, há uma discussão acadêmica( ou quase) sobre essa dupla.

Fazer uma empresa enxergar que a manutenção é segurança de voo e que fazendo essa segurança de modo preventivo é economicamente viável, pode ser difícil, mas alguns exemplos podem ser motivadores. Observando que nem em todos os casos a subida antecipada aos macacos é a melhor opção, entretanto a economia de antecipar a substituição de uma peça, a revisão de algum componente, seja da estrutura celular, motopropulsora  ou aviônica(eletrônica) traz benefícios como o retorno mais rápido ao cenário de operações, previne o desgaste excessivo daquele material, previne que o desgaste de um componente atinja outras áreas mais críticas, previne gastos inesperados de manutenção e o mais importante, previne a perda de vidas humanas.

Para complementar, dados do CENIPA sobre o panorama da aviação brasileira na última década, compreendendo 2004 a 2013. E que nas ocorrências de Acidentes Aeronáuticos, o fator Manutenção da Aeronave corresponde a 4, 87% da contribuição para acidentes.

Já nos Incidentes Graves, 95% dos casos houve 23 fatores contribuintes e a cota da Manutenção da Aeronave como um fator que contribuiu para a ocorrência atingiu a marca de 8,84%.

incid mantacidente mantExiste uma frase que paira nos hangares de aeroclubes, escolas de aviação faculdades de ciências aeronáuticas quando o assunto é voo: “Esteja sempre a frente da aeronave”. Isso traduz um sentimento de cuidado com a atividade aérea, seja na pilotagem, no planejamento, na manutenção, e nos faz lembrar que a antecipação pode ser determinante.

Ah e antes que esqueça e para finalizar, segue em anexo o primeiro DIVOP de 2015 emitido a respeito do assunto antecipação, o fato ocorrido com um AMT 200 Super Ximango tem um correlação com o que foi dito aqui hoje,

Boa leitura, ponha seu conhecimento em prática, compartilhe!

VSS – Voe Seguro Sempre Divop

Voo e Selfie

Denver, Colorado, Estados Unidos – 31 de Maio de 2014. Nesse local e data, um Cessna C-150, colidiu fatalmente contra o solo, vitimou o piloto de 29 anos e seu passageiro.

Segundo a fonte, o jornal USA Today e o próprio documento do NTSB(National Transportation Safety Board), o piloto possuía experiência suficiente para operar o C150K.

O órgão americano aponta como provável causa desencadeadora do acidente um hábito do piloto em comando, que seria o de fazer selfies durante os voos, sobretudo nas fases críticas (decolagem no caso). Tal costume, provavelmente causou no dia do acidente distração do piloto levando-o a desorientação espacial e perda de controle e voo. O Documento do NTSB ainda cita outros fatores da cadeia de eventos como a inviabilidade do voo nas condições meteorológicas por instrumentos IMC e da não autorização para transporte de passageiro e voo noturno.

A principal lição que podemos tirar disso é que o voo merece e carece de toda a atenção que podemos dar a ele. A questão das câmeras a bordo, fotos e vídeos feitos durante os voos, não é assunto novo, já leva a pontos de vista diversificados na comunidade aeronáutica de vários países que se preocupam com a segurança de voo e no Brasil não é diferente.

Certa feita cheguei a comentar essa temática com um instrutor no AeroEldorado, a resposta foi:         “ Particularmente não gosto que meus alunos voem fazendo muitas fotos, principalmente durante o voo porque eu falo uma coisa pro aluno e se ele está com a atenção dividia entre o celular ou câmera ele só vai entender, talvez, metade do que eu disse…”

Em frente ao Aero Boero continuamos… e falei e as GoPro da vida, durante uma navegação?

“Desde que ela fique lá e o aluno se esqueça dela quando estiver voando, não vejo problema. O que não dá é na decolagem, pouso, etc e mesmo no taxi, ficar fazendo pose pro insta ou face. O cara tem que entender que lá fora tem tráfego, tem aves, tem balão, aqui dentro tem o gerenciamento do painel, mesmo um boero, tem ficar de olho na temperatura do óleo, na pressão, enfim, você tem que aprender a se antecipar a alguma situação. Olhar lá fora ver uma coisa bonita é legal e tem que fotografar mesmo, tem que curtir o voo, mas não pode é ficar fazendo isso toda hora, a não ser que você esteja de pax.”

Resumindo o papo, aluno ou não, se você é piloto e está fazendo parte do voo como piloto, fique atento, uma distração de segundos pode fazer toda a diferença pra você. Quando tiver no voo dê atenção ao voo e não a outras coisas externas, como fazer mil fotos a mil pés, porque aí pode não ter mais usuário do instagram ou facebook para fazer o upload das fotos, pense nisso.Tenha a segurança de voo na cabeça, mas transfira também para suas atitudes, VOE SEGURO SEMPRE #VSS!

NTSB Cessna 150

Havaí, selfie de acidente

Havaí, selfie de acidente

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